• Na passada sexta-feira os deputados da nossa Assembleia mostraram, mais uma vez, que um país nunca avançará enquanto a política prevalecer sobre a humanidade. Depois de um importante passo rumo não só à igualdade entre cidadãos, mas sobretudo à defesa das crianças que crescem sem pais, deram trezentos passos atrás, propondo um referendo acerca de uma lei que já tinha sido aprovada, a lei da co-adopção.

    Sei que somos um país tipicamente conservador. Por muito que as leis mudem, a família tradicional para a maioria das pessoas, embora cada vez mais rara, continua a ser um pai e uma mãe, de preferência casados e, melhor ainda, casados pela Igreja. Também sei que, para muitos, a homossexualidade é uma moda, uma mania, uma doença, tudo menos aquilo que é: uma orientação sexual tão válida como a heterossexualidade. E ainda sei que somos um país de carneiros, de pessoas que acreditam em tudo o que vêm na televisão, sem reflectir, sem investigar por conta própria, e depois proferem afirmações boçais do tipo "as crianças ficam traumatizadas por terem dois pais ou duas mães". (Para essas, fica este vídeo)

    Ainda assim, considero a lei da co-adopção curta. Curta mas um primeiro passo rumo à defesa dos interesses de milhares de crianças. Permite que o companheiro de alguém que um dia teve uma relação heterossexual da qual nasceu uma criança, pudesse co-adoptar essa mesma criança. No fundo, formalizar perante a lei uma relação existente. Para uns por princípio, para outros por necessidade, como no caso de o progenitor morrer e a criança, que sempre viveu com aquele casal, ser retirada à outra pessoa que a criou por não ter laços de sangue. Não é o mesmo que autorizar a adopção plena, isso sim um feito grandioso, mas já é alguma coisa.

    Num país onde há 8142 crianças a viver em instituições, sem saberem o que é ser amadas por alguém, sem saberem o que é um colo, um adulto que lhes dê toda atenção, fico chocada que se proponha gastar dinheiro a referendar uma coisa que deveria ser indiscutível: todas as crianças têm o direito a crescer numa família. São 8142 crianças, 95% do total de crianças separadas dos seus pais biológicos, que crescem no limbo de instituições, sem serem adoptadas e, no caso em que a adopção não se justifica porque há esperança de se poderem um dia reunir à família biológica, sem sequer serem colocadas em famílias de acolhimento.

    Mas os nossos políticos não querem saber das crianças, nem destas famílias. Não querem saber da sua necessidade de atenção individualizada, dos laços afectivos que as prendem a determinadas pessoas, mesmo que não sejam de sangue. Será melhor uma criança crescer desamparada numa instituição do que com amor, só porque esse amor vem de alguém cujas preferências sexuais não são a norma? (E o que é a norma?) Crianças que, aos dezoito anos são deixadas a si próprias, porque já não podem estar nessas mesmas instituições, tornando-se muitas vezes adultos com vidas precárias. Ou acham que de uma instituição vão para a Universidade? E a que propósito se referenda este tipo de questões, quando há tantas outras muito mais relevantes para o país, que deviam ser discutidas?

    Não acredito que o referendo vá para a frente. Penso que foi um episódio estúpido que só serviu para desacreditar ainda mais a classe política e lançar o pânico entre todas as famílias afectadas directamente por esta lei. No entanto, e no ano em que se celebram os 25 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança, que não é apenas uma declaração de princípios, mas sim um documento com vínculo jurídico, espero que tenha servido para que todos se (re)lembrem de que as crianças precisam de estabilidade e amor. Venham de onde vierem.



  • Numa das crónicas anteriores, terminei o texto a dizer que uma mãe cansada prefere sempre dormir a uma noite de sexo escaldante. Isto não só provocou um frenesim de mensagens a questionar a qualidade da vida sexual de todos os casais que têm filhos, como ainda pôs em questão a minha própria vida conjugal.

    Calma. Não entrem já em pânico, por favor, e não me liguem a perguntar se precisamos de terapia conjugal. Não é verdade que as mulheres percam o desejo sexual depois de serem mães, nem é verdade que se sintam menos sexy e atractivas. Passando aqueles primeiros meses pós-parto, em que o desequilíbrio hormonal se alia à flacidez pélvica e aos quilos extra que nunca mais se vão embora, o desejo regressa com tanta ou mais força do que antes. Só que, com filhos, surge a questão da disponibilidade.

    No fundo, é como ter uma tia a dormir lá em casa ou passar um fim-de-semana com amigos com quem ainda não temos total à vontade. Ninguém se vai pôr a andar nu pela casa e a fazer o amor onde quer que lhe apeteça, pois não? Então, com filhos é a mesma coisa, mas para sempre! Quer o casal seja mais virado para sexo matinal, quer seja mais virado para sexo nocturno, há sempre um (ou mais!) pequeno ser lá em casa. E se, no início, a falta de disponibilidade se prende com o cansaço das noites mal dormidas, depois passamos a ter o factor "criança que já consegue sair da cama sozinha e entrar pelo quarto dos pais adentro". A possibilidade de infligir esse tipo de trauma a uma criança e ser tema de conversa no recreio da escola (ou pior, no gabinete do director da escola), também não é algo que eleve a libido de uma mãe.

    Mas há muitas outras coisas que afectam gravemente a disponibilidade sexual e que são, basicamente, todas as novas tarefas que vêm com a criançada:

    - preparação de refeições nutritivas (não dá para jantar cereais e congelados todos os dias...);
    - aumento da lide doméstica em geral (roupa, mais roupa, mais lençóis e resguardos, mais babetes encardidos, mais banana colada ao chão, mais pastilha elástica presa no cabelo, mais uma nódoa de chocolate no sofá...);
    - idas e vindas dos colégios, escolas e actividades extracurriculares;
    - ajuda nos trabalhos de casa, no projecto de ciências, no trabalho de arte plástica que a professora pediu aos pais para fazerem...
    - tempo para efectivamente brincar com as crianças, porque foi para isso que as tivemos, não?

    Por isso, se achavam que antes de ter filhos tinham uma vida muito ocupada, entre o trabalho, o ginásio e a vida social, deixem-me só rir um bocadinho.
    Agora a sério: lamento ser eu a portadora de tais notícias, mas para todos os que ainda não são pais é bom que estejam conscientes que o sexo deixa mesmo de ser uma prioridade. Não por falta de desejo, não por monotonia, apenas e só porque, quando os miúdos estão finalmente na cama, os pais mal têm energia para lavar os dentes. A solução é uma enorme dose de criatividade para encontrar sítios e horários à prova de criança. Aqui ficam algumas sugestões:

    - aproveitar o período das sestas
    - pedir à baby-sitter para levá-los num loooongo passeio
    - pôr o despertador para 20 minutos mais cedo
    - um duche rápido, enquanto eles vêm um filme na sala
    - deixá-los ir brincar para a rua
    - aproveitar que as visitas estão lá em casa e ir "buscar umas cadeiras à arrecadação"
    - fugir para uma divisão recôndita durante um almoço de família
    - passar por um motel à hora de almoço.

    É uma lista em constante construção, por isso, não se deixem limitar por ela e lembrem-se que, embora deixe de ser uma prioridade para as mães, o sexo nunca deixa de ser uma prioridade para os pais. E é, sem dúvida, uma das coisas mais importantes para uma relação feliz.




  • Não era desta forma que queria começar o ano do blog. Tinha imaginado um post cheio de algodão doce e palavras divertidas. Mas a vida é assim mesmo: termina quando menos esperamos, mesmo para aqueles que tomamos por imortais.

    Só que no caso de Eusébio, a notícia é mais difícil de interiorizar, uma vez que, ainda em vida, ele já era imortal. É como alguém dizer que Deus deixou de existir. Como assim? É impossível. Os deuses não morrem, que disparate! E por isso não consigo verter qualquer lágrima. Por isso e porque o seu nome apenas me desperta sorrisos. Pelas imagens de glória que me vêm à memória e pela lembrança do seu rosto, sempre sorridente, dentro e fora do campo.

    Não sou da geração que teve o privilégio de vê-lo jogar, num tempo em que o futebol era apenas futebol, mas sou da geração que já nasceu com o seu nome tatuado na alma. Eusébio é Portugal, o rei plebeu da dinastia dos heróis. E como qualquer outro rei, não há como contornar a sua existência, passem os séculos que passarem.

    Não sou da geração que teve o privilégio de se encantar com o seu jogo a cada domingo, mas ainda o vi jogar durante 37 minutos e fazer um golo, num jogo em sua homenagem a 1 de Dezembro de 1992. Foi a comemoração do seu 50º aniversário e a condecoração com a medalha de bronze da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República. Foi, aliás, a primeira vez que entrei no Estádio da Luz, pela mão do meu avô, e o dia em que fiquei irremediavelmente apaixonada pelo Benfica.

    Não sou dos que tiveram o privilégio de privar com Eusébio, de ouvir as suas histórias e tirar fotografias a seu lado, mas consegui dizer-lhe o que sentia na única vez em que estive ao seu lado. Eu, que não sou nada destas coisas e acho sempre que as figuras públicas, quando estão nos seus momentos privados, não querem ser incomodadas.

    Foi numa noite de Verão há dois ou três anos num restaurante em Sesimbra. Eu estava à espera de mesa junto à vitrina do peixe fresco e Eusébio veio escolher o seu jantar. Já o tinha visto sentado no fundo da esplanada, discreto como sempre foi, e dito a mim própria que gostava de ser mais extrovertida e ter coragem para ir cumprimentá-lo. O destino quis que Eusébio se levantasse e viesse até mim, como que me oferecendo a derradeira oportunidade de cumprir o meu desejo. Os meus joelhos começaram a tremer, a minha garganta secou e trezentas mil borboletas esvoaçaram na barriga. Enquanto Eusébio falava com o empregado, eu pedia ao meu cérebro para dominar o sistema nervoso e deixar-me falar. E assim foi. Antes que o Pantera Negra se voltasse a sentar, toquei-lhe no ombro e disse algo do género: «Senhor Eusébio, desculpe incomodá-lo, mas só queria dar-lhe um beijinho e agradecer-lhe por tudo o que fez pelo nosso Benfica e por Portugal. É um orgulho cumprimentá-lo». O Rei sorriu, agradeceu humildemente e voltou para a sua mesa, para a sua existência divina. Eu fiquei sem conseguir falar por mais dez minutos e só voltei à minha cor normal ao fim de vinte, o que é perfeitamente aceitável para quem acaba de falar com uma lenda.

    Hoje, ao ver as imagens da sua despedida, orgulho-me de ter conseguido dirigir-lhe tais palavras, ainda que não tenham sido as mais inspiradas. Porque é muito mais importante homenagear as pessoas em vida do que escrever coisas bonitas depois da sua morte. E até nisso Eusébio foi especial. Recebeu homenagens e estátuas e medalhas enquanto as pode apreciar. Soube que era querido, não só pela família e amigos, não só pelos benfiquistas, não só pelos portugueses, mas por várias gerações de pessoas de todo o mundo. Agora, de regresso ao Olimpo onde pertence, de certeza que vai a sorrir, com o coração cheio de boas memórias.

    Boa viagem.



  • Pronto. Chegou o dia dos balanços. O dia em que quase toda a gente é tomada por uma necessidade (por vezes masoquista) de rever o ano que está prestes a acabar. Há sempre uma série de arrependimentos, uma dose de autocomiseração e uma certa vaidade por eventuais conquistas.

    Há casamentos, nascimentos e promoções. Há divórcios, lutos e desemprego. Tudo isto misturado, tudo isto a acontecer com a mesma pessoa, com a mesma família ou comunidade. E depois, há ainda as já clássicas reportagens sobre o melhor e o pior do ano, que só nos fazem sentir mais insignificantes perante os grandiosos acontecimentos. Qual foi a minha contribuição para a Humanidade? Como posso queixar-me seja do que for perante as imagens da Síria? Como posso vangloriar-me de pequenos feitos perante tudo o que fez Mandela?

    Mas posso. Podemos todos. Porque somos humanos. Porque embora tenhamos a sorte de não ter nascido numa zona de guerra, também temos as nossas pequenas tragédias. Porque os nossos actos podem não mudar o mundo, mas mudam o mundo de alguém. Porque apesar de poucos ficarem na História, todos fazemos parte dela, com os nossos dias nada emocionantes, as nossas rotinas nada inspiradoras e os nossos desejos apenas mundanos. E se o melhor que fizemos no ano que acaba foi ajudar uma velhinha a atravessar a estrada, não nos sintamos menos dignos. Amanhã poderemos começar de novo. E depois de amanhã. E a qualquer momento da nossa vida.

    Álvaro de Campos escreveu que «O mundo é para quem nasce para o conquistar e não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.» Mas se não sonharmos, o que nos resta?

    Vamos então sonhar um 2014 como nos apetecer, em que sejamos heróis para quem nos é querido, geniais numa actividade qualquer (mesmo que seja a resolver palavras cruzadas) ou em que sejamos apenas nós próprios, com todas as nossas falhas. Para uns, serão sonhos altruístas como a paz no mundo, a saúde eterna e a cura do cancro. Para outros, um carro novo, um amante ou uma mala Chanel. Não importa a dimensão ou a futilidade dos mesmos, porque enquanto pudermos mandar nos nossos sonhos seremos livres. Mesmo nos dias mais escuros. Mesmo num país pequenino.

    ©Steve Simpson
  • Esta não é uma noite como as outras. Mais não seja por conter em si a esperança e as promessas de que vai ser especial. É tempo de perdão, de amor, de esquecer as diferenças. No entanto, todos os anos, década após década, observo as mesmas angústias, as mesmas mentiras, as mesmas histórias. Vejo os filhos repetirem os erros dos pais. Vejo os netos a rir com as mesmas brincadeiras que fizeram rir os seus avós. Só muda o tempo, esse que por mim passa tão devagar.


    Sete da tarde.

    O ar começa a cheirar a filhoses e lenha.

    A rapariga loura limpa as lágrimas e retoca a maquilhagem ao espelho do carro, enquanto o rapaz retira alguns sacos do porta-bagagens. Sem lhe dizer uma palavra, fica à espera que ela decida sair, pegue no bebé, que dorme no banco de trás, e o siga até à porta número sete. Não a via com uns olhos tão tristes desde que os seus cabelos estavam presos em tranças, os joelhos esfolados debaixo do vestido e o cão definitivamente imóvel no seu colo.

    À janela do quarto esquerdo, uma mulher espreita ansiosa entre as cortinas. Ainda faltam muitas horas, ela sabe. Mas não consegue evitar perder o olhar na rua, que agora já está escura, aguardando os faróis do Ford azul.

    No segundo andar da porta número nove, o homem continua no sofá. Já perdeu a conta à cerveja que a mulher lhe vai trazendo a cada grito. A cozinha envolta em vapor, porque o exaustor está avariado há três anos. E ainda tem de fazer as rabanadas.

    No quinto, está a família feliz. A árvore é a mais bonita, as crianças as mais bem comportadas, os presentes os mais valiosos. Os sorrisos espalham-se à medida que a família vai chegando. Quatro gerações.

    Um carro pára agora à minha frente, mas não é o Ford azul. Dois homens despedem-se com um beijo nos lábios. O condutor segue. O passageiro respira fundo e esconde a aliança no bolso do casaco, enquanto se dirige para casa dos pais, no prédio do lado.


    Nove da noite.

    Cai uma chuva miudinha que todos gostariam que fosse neve, menos eu, que ficaria com as folhas queimadas. Neve seria, contudo, muito mais romântico.
    A rapariga loura voltou a sorrir. O rapaz também, embora a raiva continue a jorrar dos seus olhos. O bebé passa de colo em colo, contagiando toda a gente com a sua inocência, como que a provar àqueles que eram contra a sua existência, o quão mágico é um pequeno ser. A encarnação da esperança. Todas as possibilidades pela frente.
    À janela do quarto esquerdo, a mulher volta a espreitar uma última vez antes de se sentar sozinha à mesa. Podia ter ido para a terra. É sempre a esta hora que se arrepende de não ter ido para a terra. Mas também, o que dizer àquela gente toda? Como suportar aquelas vidas provincianas, aquelas histórias sempre iguais, aquelas perguntas em tom de crítica?
    O homem continua a beber no segundo andar, embora tenha finalmente largado o sofá. Os filhos fingem que não se importam. Têm de sorrir pela mãe, que teve tanto trabalho. E ainda fez as rabanadas que sobram sempre, porque ninguém gosta de fritos.
    A família feliz está sorridente a partilhar uma luxuosa refeição. O pai das crianças não pára de mandar SMS por baixo da mesa. A mulher finge não perceber. É Natal. É suposto sorrir. A cunhada invejosa não tira os olhos da mulher do irmão, que está sempre tão bem vestida, tão bem arranjada, enquanto ela não tem dinheiro nem para ir fazer as mãos. A matriarca abre os olhos ao marido sempre que ele volta a encher o copo. «Não devias beber tanto. E depois quem é que leva o carro até à Igreja?» Os adolescentes jogam uns com os outros via telemóvel. A bisavó finge-se de surda e aproveita apenas o lado bom da coisa: ver a família toda reunida, quem sabe se pela última vez. Aproveita também para esconder mais uns figos secos no bolso do casaco, que saboreará quando ninguém estiver a ver.
    Na casa ao lado, o homem continua a gabar-se das suas viagens fantásticas e a inventar histórias da namorada parisiense que se está a tornar um caso sério. Talvez para o ano, se tudo correr bem, a convença a vir a Portugal. Os olhos da mãe brilham de alegria. Queria tanto ter um netinho.


    Meia noite.

    A hora mágica.
    A rapariga loura finge gostar do presente que o rapaz lhe deu. Não quer deitar-se zangada mais uma vez. Ele, no fundo, é bom rapaz. A sério que é.
    A mulher do quarto esquerdo dormita no sofá, enquanto as velas derretem no candelabro.
    No segundo andar, o homem já foi a cambalear até ao quarto, ignorando a abertura dos presentes. A mulher contém as lágrimas. Nem tudo é assim tão mau. Tem os filhos e os netos. Tem de continuar por eles. Amanhã logo se vê.
    A família feliz foi quase toda à Missa do Galo. Menos os adolescentes, que ficaram a tomar conta dos primos mais novos. Fumam charros à janela enquanto as crianças pulam no sofá, ansiosas pelos presentes e excitadas pelo excesso de açúcar.
    O homem do prédio ao lado distribui embrulhos caros que trouxe das suas viagens exóticas. Mas a mãe só queria um netinho. Ai que ainda vai morrer sem ter um netinho.


    Madrugada.

    Cai a neblina.
    A rapariga loura pede desculpa ao rapaz assim que entram no carro. Vamos começar de novo. Vamos ter outro bebé. Um bebé resolve tudo, com a sua doçura. Prometo que tudo vai ser diferente.
    O Ford Azul chega finalmente. A mulher dá pulinhos à janela. Sabe que não tem muito tempo. Ele disse à outra que ia só dar uma volta para esmoer o jantar. Mas aquela hora chega-lhe. A hora em que finge que são um casal. A hora em que finge ter uma família. Recebe mais uma jóia, quando só queria um pouco mais de amor. Mas não faz mal. Uma hora chega para sonhar.
    No segundo andar da porta número nove, a mulher limpa a casa em silêncio. Não pode acordar o marido, senão já sabe o que lhe acontece. Limpa a casa como se limpasse as tristezas da sua vida. São muitas e estão incrustadas como a gordura no exaustor que não funciona há três anos. Engole as lágrimas e as imagens do que poderia ter sido. Haja saúde. O resto a gente aguenta.
    A família feliz despede-se. Amanhã o cinismo continuará. Agora, cada elemento recolhe, maldizendo os outros durante o caminho até casa. Menos os adolescentes que dormem mais profundamente que as crianças. Uns anjinhos.
    O homem do prédio ao lado chama um táxi. Está desejoso de chegar a casa e rir com o companheiro das mentiras que tiveram de contar às respectivas famílias. Riem para disfarçar o desgosto de não poderem passar aquela noite juntos. Talvez para o ano seja diferente. Talvez para o ano tenham coragem.
    Uma a uma as luzes apagam-se e os motores dos carros deixam de se ouvir. Passou mais uma noite de Natal. Nenhum milagre trouxe a felicidade instantânea ou a resolução de todos os problemas sobre os quais ninguém quer falar. Daqui a umas horas tudo será como antes. Como sempre.
    Aguardo que os primeiros raios de sol aqueçam os meus ramos. Parece que já não vai chover.





    (texto originalmente publicado neste blog em 2011)
  • Só as tragédias nos relembram o verdadeiro valor da nossa existência. Só as tragédias nos trazem a angústia de sermos mortais. Passamos a vida tão ao de leve, tão preocupados com coisas mundanas, com as contas, com os horários, com o que os outros pensam, com o que é que se tira para o jantar, com aquele berbicacho que temos de resolver até ao dia seguinte, que nos esquecemos do que realmente importa. De quem realmente importa.
    Só as tragédias nos espicaçam durante uns dias. Nesse período, prometemos a nós próprios que vamos ser pessoas melhores, que vamos preocupar-nos mais com os outros, que vamos telefonar mais vezes aos pais, aos avós, aos amigos, que vamos cumprir aquela promessa há tanto tempo adiada. Prometemos tudo isto, para logo a seguir sermos novamente engolidos pelo quotidiano e atirados a um mundo que não está feito para contemplações. Um mundo que não nos dá tempo para pensar, que não nos dá tempo para tudo o que um dia gostaríamos de fazer ou dizer. E, quando mais de 90% da população luta para sobreviver, é quase um insulto pedir que sejamos mais contemplativos e olhemos para as pequenas coisas poéticas que a vida nos oferece. A poesia não paga as contas, não cumpre os horários, não faz o jantar.
    Mas então acontece uma tragédia. Um acidente, uma doença, uma injustiça. Um segundo que nos rouba o chão, que nos traz o desejo doloroso de ter tido mais um dia, mais um abraço, mais uma palavra sussurrada ao ouvido. Nessa altura, o que nos resta senão as tais coisas poéticas? Quando não há um corpo, quando não há vida, matéria, substância, persistem as recordações e a culpa por todos os minutos que perdemos a pensar nas contas, nos horários e nos jantares. Porque, por muitas voltas que a vida dê, por muitas obrigações que o mundo nos imponha, são as pessoas que nos dão sentido. Pessoas que merecem ouvir todos os dias o quanto são importantes na nossa vida. Todos os dias. Não apenas nos dias das grandes alegrias. Ou das grandes tragédias.





  • Dormir, ah dormir... Essa função básica do corpo humano que, como tudo na vida, só valorizamos quando não temos. Claro que qualquer pessoa sabe que, quando tem filhos, vai inevitavelmente dormir menos. Primeiro, porque o recém-nascido acorda de três em três horas, depois, porque deixou cair a chucha ou porque ficou doente ou porque teve pesadelos ou ainda porque fez xixi na cama. É normal, faz parte e não é segredo para ninguém, certo? Errado!
    Não é só nessas alturas que uma mãe (e muitas vezes um pai) não dorme. É constantemente, desde que a criança nasce até ao dia em que sai de casa. A verdade que ninguém nos conta é que, com a maternidade, nasce uma capacidade auditiva paranormal, que faz com que consigamos ouvir o nosso filho gemer mesmo a duas divisões de distância e com a porta do quarto fechada, e isso provoca graves perturbações no sono. Também nasce um sexto sentido, que nos acorda durante a noite para nos dizer que ele está todo destapado, está a começar a chocar alguma virose ou esqueceu-se de colocar o despertador para ir à visita de estudo cuja partida é às sete da manhã. E se nenhuma destas situações ocorrer e estivermos convencidas de que vamos dormir umas oito horinhas de seguida, os filhos arranjam maneira de, logo nesse raro dia, que geralmente ocorre durante o fim-de-semana, acordarem mais cedo.
    Assim, dormir uma noite realmente descansada começa a ser visto por uma mãe como um luxo arábico. Algo que um dia experimentámos, mas que agora não passa de uma ténue recordação. Como a recordação daquelas férias maravilhosas, por exemplo. Sabemos que elas aconteceram, temos fotografias que o atestam, lembramo-nos do sabor do Mojito, da música que estava a tocar, mas nada daquilo existe para lá da nossa memória. E é por isso que a maioria das mães (e muitos pais), quando conseguem recambiar a prole para casa dos avós, tios, amigos ou para um mero campo de férias, preferem dormir a qualquer outra actividade nocturna.
    Os amigos que não são pais ficam chocadíssimos com isto. Mas anda lá beber um copo, que estás sem os miúdos. Não sejas anti-social. Há quanto tempo não sais à noite? Também faz bem descontrair um bocado, dar um pezinho de dança... Esqueçam! Não há hesitação: entre ir para uma noitada com amigos e demorar três dias a recuperar (dois dos quais já na presença das nossas pequenas pestes hiperactivas) e poder dormir um sono retemperador pela primeira vez em meses, a escolha é óbvia. Aliás, já me aconteceu deixar o miúdo em casa dos avós para poder ir a um evento qualquer e, à última da hora, trocar a minissaia pelo pijama e enroscar-me no meu marido a ver um bom filme, seguido de 10 horinhas a dormir.
    E se for para ter uma noite de sexo escaldante? Também não. Acreditem: para uma mãe cansada, o prazer supremo é apenas e só uma cama fofinha num quarto silencioso, sem despertadores electrónicos ou humanos. Talvez amanhã, durante a sesta ou quando a criançada estiver naquela festa de anos. Até porque o sexo escaldante foi o que nos colocou neste estado, não foi?


    Bela Adormecida ©Filipa Silva
  • Português que se preze, deixa sempre os presentes para a última da hora. E depois entra em stress, no dia 23, ou mesmo no dia 24 de manhã, quando a família já está a telefonar a perguntar a que horas chega, que não se esqueça das couves, ou das rabanadas, ou das cadeiras dobráveis, que este ano o Chico traz a namorada.
    Pois desta vez não há desculpa. Têm aqui uma excelente lista com sugestões para todas as idades e todas as bolsas. E, ainda por cima, uma lista de produtos exclusivamente portugueses, que é para nos ajudarmos uns aos outros a sair desta interminável crise. A maioria deles são de pequenos negócios online, pelo que só têm mesmo de encomendar e ficar sentadinhos no sofá à espera do correio. Melhor que isto, só mesmo directamente com o Pai Natal, que eu sou apenas uma ajudante.
    • Uma clutch Baguera a partir de €110



    • Um bordado da Hardcore Fofo (esta tem bolinha!!! não ofereçam às avós!) - a partir de €10


    • Conservas (diz que está na moda!) à venda na típica Conserveira de Lisboa, mas também em muitos  supermercados e lojas gourmet por esse país fora. A partir de €2

    (para uma experiência ainda mais kitsch, visitem a loja de artesanato na minha avó, na Rua Miguel Bombarda nº94 Barreiro, onde encontram artesanato típico, galos de Barcelos, loiça das Caldas - bonecos também - canecas do Benfica, facas, utensílios de cozinha e tudo embrulhado no papel mais berrante com fitas e laços cada um de sua nação, tudo colocado em sacos de plástico sem qualquer tipo de branding, como antigamente!)


    • Discos e livros portugueses! Há tantas opções e tão boas (e não, não vou voltar a falar dos meus fantásticos livros!)... Vou apenas deixar um exemplo de um artista de quem gosto e que, tal como eu, anda a fazer tudo sozinho :)





         E e isto. Espero que tenham um Natal muito feliz e bem português. 

  • Descobri recentemente um projecto nacional realmente inspirador. Chama-se Maria Riding Company, nasceu oficialmente em 2012, e não é mais do que o restauro de motas clássicas. Mentira. É muito mais do que um restauro: é a transformação de uma mota clássica em algo totalmente novo, com um espírito vintage mas muito original. Por outras palavras, uma peça de arte.
    E como viajar também se faz fora da estrada, a Maria Riding Company criou aquelas que, para mim, são as pranchas mais bonitas do mundo. Aliás, são tão bonitas que estou mesmo a pensar abandonar o bodyboard só para poder ter uma.
    Depois ainda há os acessórios, as mochilas, as t-shirts, tudo com um look simplesmente fabuloso. Olhar para aquelas peças faz-nos pensar numa roadtrip de verão, pela costa leste dos Estados Unidos. Ou melhor ainda, pela nossa Costa Alentejana.
    Vale a pena espreitar o site, igualmente cuidado e aspiracional, e ficar a sonhar com a tal roadtrip, enquanto interiorizamos o espírito da marca:
    Extraordinary Rides for Unconventional People.










  • Nesta altura do ano é inevitável sentir o "Stress dos Presentes". Se, por um lado, ainda falta quase um mês para o Natal, por outro lado, não queremos deixar as compras para a última da hora. E se, por um lado, vamos cortar na lista e só oferecer uma lembrança às pessoas mais próximas, por outro lado, essas são sempre as mesmas pessoas a quem oferecemos presentes e, com os anos, as ideias começam a esgotar-se. Ora, para evitar este stress aos meus leitores, tenho uma excelente sugestão de presente:

    O meu novo livro «O Estranho Ano De Vanessa M.» autografado e com dedicatória.



    Mas há mais (porque eu ADORO o Natal e já estou a ser contagiada): os portes são GRÁTIS para qualquer ponto do país e ainda há um desconto de quantidade.

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    Para fazer a sua encomenda, basta enviar um email com a morada, número de exemplares pretendidos e nome da(s) pessoa(s) a quem dedicar o livro para filipafonsecasilva@gmail.com . De forma a garantir a entrega a tempo, só aceito encomendas até 15 de Dezembro.

    ATENÇÃO: Esta promoção NÃO é válida para o livro «Os 30 - nada é como sonhámos»

    Bom Natal e Boas Leituras!
  • Embora a gravidez seja uma das alturas mais bonitas na vida de uma mulher, confesso que não sou fã da coisa. Sim, há todas aquelas experiências maravilhosas como o facto incrível de estar a gerar uma vida, sentir o bebé a mexer, ouvir o seu coração quando vamos às consultas de obstetrícia ou passar à frente na fila do supermercado, mas sinceramente, tudo o resto é um rol de interdições, indisposições e preocupações. Ora é verificar se a salada está bem lavada, ora é acordar duas vezes por noite porque a bexiga não aguenta, ora é ter de dizer não àquele segundo copo de vinho. Tudo isto ao mesmo tempo que se lida com uma profunda desregulação hormonal que nos transforma em seis mulheres diferentes durante as mesmas 24 horas: de chorona a irascível, de impaciente a ansiosa, de meiga a intolerante. (Nota para os maridos que gostavam de ser poligâmicos: esta é a altura da vida em que vão ficar a saber porque é que a poligamia NÃO resulta. Uma mulher é suficiente para vos dar cabo da cabeça.)

    Se tudo isto já é complicado quando podemos chegar a casa e descansar no sofá (sim, porque uma grávida sente-se inevitavelmente mais cansada e não é por acaso que existem filas e lugares especiais para elas), o verdadeiro desafio começa quando já se tem um filho. O irmão mais velho do belíssimo ser que estamos cuidadosamente a gerar não se compadece com o nosso estado de graça. Aliás, na maior parte das vezes, parece uma daquelas pessoas que refilam se uma grávida lhes passa à frente. Não percebe porque é que não podemos dar colo, porque é que não rebolamos no chão, porque é que já não partilhamos a mesma colher. Além do mais, se tiver menos de quatro ou cinco anos, ainda é, ele próprio, um bebé: tem de ser vigiado, alimentado, vestido (com roupas que realmente combinem e sejam adequadas ao estado do tempo) e repreendido.

    E é então que uma mãe passa a viver os meses de gravidez entre o "Estou tão feliz, era mesmo isto que eu queria!" e o "O que é que me passou pela cabeça para engravidar outra vez?". É um sentimento perfeitamente natural. Porque estamos mais cansadas, mais preocupadas e, sobretudo, mais conscientes do que é ter um recém-nascido. Torna-se inevitável ficarmos assustadas com a gestão do tempo e da família quando o novo elemento chegar. Ainda estão muito frescas na memória as noites mal dormidas e a rapidez com que o tempo passa quando se está em casa com um ser que aparentemente não dá trabalho nenhum. Quando nasceu o meu primeiro filho, tive uma crise de exaustão ao fim de dez dias - dores no corpo, arrepios, falta de apetite - o que me faz entrar constantemente em pânico com a ideia de passar por tudo outra vez, e agora com uma criança de dois anos e pouco a querer constantemente a minha atenção. Mas depois, olho para o seu álbum de bebé, sinto outro pontapé nas entranhas e sorrio de plena felicidade. Que sorte poder passar por esta experiência outra vez! É um estado um bocado esquizofrénico. Ou se calhar é das hormonas...

  • Há umas semanas, a propósito das infames declarações do presidente da FIFA, escrevi uma carta ao Cristiano Ronaldo. Agora, que estamos a 90 minutos de garantir o apuramento para o Mundial, volto a publicá-la. Porque seria uma enorme injustiça, depois do que tem lutado e dado à Selecção e ao nosso país, este homem não jogar no Brasil. Força Ronaldo e força Portugal.


    Querido Ronaldo,

    (Desculpa a familiaridade no tratamento, mas gosto tanto de ti que não consigo dirigir-me à tua pessoa com um mero caro, muito menos um excelentíssimo, embora me mereças o maior respeito e consideração.)
    Como qualquer figura pública sabes bem que a fama traz amores e ódios. A fama, a riqueza, o sucesso e o talento. E quando alguém tem estas quatro coisas juntas, como é o teu caso, é difícil não ser alvo constante desses ódios e invejas. Só que, no teu caso, acredito que por cada ódio, venha ele das mais altas instâncias do futebol ou do mais baixo café de rua, há o dobro em amor. Sim, sei que, como eu, há milhões de pessoas que te adoram, que te admiram e que sabem que és um homem e um atleta fora de série. E sei que, felizmente, sabes disso.
    Para mim é um orgulho ver-te jogar, seja com que camisola for (com muita pena que não seja a do Benfica, mas enfim...). É um orgulho não só por seres português, mas sobretudo pelo difícil caminho que trilhaste até atingires os teus objectivos. Os odiosos e os invejosos gostam de falar do teu corte de cabelo, dos teus carros, das tuas namoradas, mas não falam dos anos que passaste longe da tua família, sozinho, nem dos dias em que ficaste a treinar depois dos outros se irem embora para te superares e tornares no atleta magnífico que és. Gostam de falar das tuas férias e das festas onde vais, mas não falam dos hospitais que visitas, dos miúdos que acarinhas e dos autógrafos que dás, mesmo quando a agenda é apertada e estás desejoso de ir para casa ter com o teu filho. Gostam de falar da roupa das tuas irmãs ou do novo corte de cabelo da tua mãe, mas não falam do amor e da segurança que elas te dão e que foi, decerto, fundamental para que nunca tenhas desistido dos teus sonhos e nunca te tenhas perdido como tantos outros atletas que ficam cegos pela fama e pelo dinheiro.
    E por falar em dinheiro, é teu de direito, conquistado literalmente com o teu suor, com o teu talento sobrenatural e ainda bem que podes proporcionar uma vida fantástica a todos de quem gostas. Ao contrário de tantos outros atletas, o dinheiro não te corrompeu, não te tirou a alegria de jogar à bola nem a constante batalha que travas contigo próprio para seres cada vez melhor. Uma batalha que tenho tido o privilégio de assistir ao longo dos últimos dez anos.
    Não sou do tempo do Pelé nem vi o "meu" Eusébio jogar. Era uma menina que brincava com as Barbies quando o Maradona e outros grandes talentos dos anos 80 davam cartas. Só comecei a ligar ao futebol quando vi uma reportagem sobre o Van Basten no início dos anos 90 e só fiquei verdadeiramente apaixonada quando fui ao Estádio da Luz pela primeira vez. Vi todos os grandes jogadores portugueses (e estrangeiros!) jogarem inúmeras vezes, ao vivo e a cores, desde então. Do meu maestro Rui Costa, ao aclamado Figo, entre tantos outros. Mas nunca vi nenhum jogador que se compare a ti. Tu tens aquela coisa que só os grandes têm. Aquela coisa que nos cola ao relvado, que nos faz gritar e nos enche o coração. Aquela coisa que te vai tornar lendário e imortal.
    Para mim, digam o que disserem, és o melhor do mundo. O melhor de sempre! Ah, e se vestisses a camisola do Benfica...

    Beijinhos,

    Filipa







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  • E por falar em mulheres portuguesas que levam o nome de Portugal pelo mundo, há uma que tem sido exímia a fazê-lo. Trata-se da artista Joana Vasconcelos. Desta vez foi uma das 15 mulheres convidadas para criar uma peça para a exposição que celebra o perfume Miss Dior.

    Cada artista tinha de criar uma peça tendo por base o frasco deste perfume, peças essas que estão em exposição desde ontem no Grand Palais em Paris. O resultado está nas imagens abaixo e para mim, como fã quer da Joana, quer da Dior, não podia ser mais fascinante. Parabéns Joana.





    Esboço do famoso frasco Miss Dior









    As 15 artistas convidadas









    Frascos e leds









    Pormenor da peça









    A artista e os técnicos









    A estrutura









    O resultado final













    Miss Dior Exhibition
    13 a 25 de Novembro 2013
    Grand Palais - Paris
    Entrada grátis (para quem tiver a sorte de passar pela capital francesa)


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  • Agora que, graças à notícia da minha entrada no Top 100 da Amazon, ganhei uma data de novos subscritores, que de outra forma dificilmente teriam chegado a este blog, acho que devo fazer um pequeno resumo do que vão encontrar por aqui. Para todos os que já eram seguidores, servirá este post para relembrar o que tem sido escrito e que possa ter passado despercebido. Espero que seja útil.

    O que esperar:

    1) uma boa dose de esquizofrenia: tanto falo de moda, como de futebol, de arte ou do estado da Nação. Não sou especialista em qualquer destas áreas, mas quando um assunto me desperta interesse, gosto de partilhá-lo e dar a minha opinião.






    2) um blog pessoal: sou totalmente responsável pelo que escrevo, mas devem ter em conta que são as minhas opiniões pessoais (nem sempre politicamente correctas), que partilho ao abrigo do direito constitucional à liberdade de expressão.






    3) um blog de uma mãe: é inevitável partilhar uma das partes mais importantes da minha vida, algo que faço na rubrica "Coisas que aprendi depois de ser mãe (e que ninguém nos conta)". Se não têm paciência para esta temática, não leiam os posts com este título. Embora sejam muito divertidos, mesmo para quem nunca viveu essa experiência (digo eu, mas sou suspeita).













    4) um blog onde a ficção se cruza com a realidade, mesmo nos textos mais literários.






    5) notícias sobre novas publicações: sim, quando tiver novos livros ou eventos que considere interessantes para os meus leitores, vou divulgá-los aqui.











    6) vários posts sobre as minhas preocupações humanitárias e ambientais, porque acredito que toda a gente faz a diferença e se, com algum dos meus textos, conseguir convencer nem que seja uma pessoa a abraçar uma certa causa, já fico muito feliz.












    O que não esperar:

    1) posts e actualizações diárias. Não vão encontrar fotografias do meu pequeno-almoço, nem relatos sobre as horas que passei no trânsito. Para isso utilizo as redes sociais. Aqui escrevo, em média, uma vez por semana, até porque sou apologista da grande máxima que é "se não tens o que dizer, fica calada". E também odeio estar sempre a receber newsletters.






    2) Passatempos e promoções por tudo e por nada. Isto não é o Groupon. Claro que não digo que, uma vez ou outra, não venha a fazer um passatempo, desde que o prémio seja algo de que eu realmente goste.






    3) Publicidade gratuita. Todas as marcas, designers, artistas e produtos de que falo no meu blog são coisas que eu admiro/consumo/gostava de ter. Adoro estar a par das novidades e se alguém quiser apresentar-me um novo produto, terei todo o gosto em ficar a conhecer, mas só darei destaque neste blog se acreditar nele. Já me basta a minha profissão de publicitária onde tenho de falar de coisas com as quais nem sempre me identifico.






    4) Um blog que agrada a gregos e troianos. Sei que vou escrever coisas que algumas pessoas vão adorar e outras vão odiar. É inevitável. Mas desde que escreva coisas que despertem a curiosidade e que façam os leitores dar o seu tempo por bem gasto (mesmo que não concordem com a minha opinião), sinto que o meu dever fica cumprido.






    Obrigada!
  • A versão inglesa do meu primeiro livro, “Os Trinta - Nada é como sonhámos”, que em inglês tem o título “Thirty Something – Nothing’s how we dreamed it would be”, entrou hoje no TOP 100 da categoria Woman's Fiction, ao lado autores como James Patterson, Danielle Steel e E.L.James. Simultaneamente atingiu a posição 630 da Amazon no rank geral de vendas, ou seja, incluindo todas as categorias de livros existentes naquela que é a maior loja online do mundo.

    Isto pode não parecer muito, mas se pensarmos que os melhores livros de autores rentáveis como Saramago ou José Rodrigues dos Santos estão em posições como 207 mil ou 334 mil respectivamente, a coisa ganha toda uma outra dimensão.

    Estou tão feliz com esta conquista, que se deveu a mais de um ano de trabalho árduo na promoção do livro no mercado internacional, que quero oferecer o meu novo livro "O Estranho Ano de Vanessa M." a todos os portugueses. Sim, TODOS os portugueses. Para tal, basta subscreverem este blog até dia 15 de Novembro. Quem o fizer receberá um email com um voucher para fazer o download da versão ebook do mesmo totalmente grátis.

    Porque é que vou oferecer o livro aos portugueses, quando a maior parte dos meus leitores são estrangeiros? Exactamente porque quero dar a conhecer o meu trabalho no meu próprio país, na minha própria língua, aquela em que escrevo, em que sonho e que será sempre a minha paixão.

    Espero que aproveitem esta pequena oferta e, quem já tem ou já leu o livro, pode sempre avisar os amigos.




    Versão inglesa de "Os 30 - nada é como sonhámos" no Top 100 da Amazon






    O livro que vou oferecer a todos os portugueses :)

  • Pois bem, chegou o dia do grande lançamento: o portal pelo qual todas as mães esperavam, onde várias mães bloggers e alguns pais com as mais variadas formações partilham as suas experiências e conhecimentos sobre tudo o que tenha a ver com a maravilhosa experiência que é gerar e criar uma criança. Da gravidez à pedagogia, da nutrição à psicologia, da fotografia à gestão do tempo e das tarefas domésticas, aqui há um pouco do tudo.

    Eu vou falar das coisas que aprendi depois de ser mãe e que ninguém nos conta, e vou seguir atentamente os "ensinamentos" das outras mães queridas, como por exemplo da Vera Ferraz que tem o blog "Hoje para o jantar...", onde partilha duas das suas grandes paixões: a fotografia e a culinária. Ainda não experimentei nenhuma das suas receitas, porque como vos digo, o portal está a ser lançado hoje, mas pelas fotografias fantásticas, já apontei várias receitas que vou fazer lá em casa. Vejam já se não são apetitosas?


    http://maequerida.limetree.pt/author/veraferraz/

    Gelatina com dinossauros!

    Bolo de abóbora, coco e noz

    pernas de frango com laranja e vinagre balsâmico

  • Querido Ronaldo,

    (Desculpa a familiaridade no tratamento, mas gosto tanto de ti que não consigo dirigir-me à tua pessoa com um mero caro, muito menos um excelentíssimo, embora me mereças o maior respeito e consideração.)
    Como qualquer figura pública sabes bem que a fama traz amores e ódios. A fama, a riqueza, o sucesso e o talento. E quando alguém tem estas quatro coisas juntas, como é o teu caso, é difícil não ser alvo constante desses ódios e invejas. Só que, no teu caso, acredito que por cada ódio, venha ele das mais altas instâncias do futebol ou do mais baixo café de rua, há o dobro em amor. Sim, sei que, como eu, há milhões de pessoas que te adoram, que te admiram e que sabem que és um homem e um atleta fora de série. E sei que, felizmente, sabes disso.
    Para mim é um orgulho ver-te jogar, seja com que camisola for (com muita pena que não seja a do Benfica, mas enfim...). É um orgulho não só por seres português, mas sobretudo pelo difícil caminho que trilhaste até atingires os teus objectivos. Os odiosos e os invejosos gostam de falar do teu corte de cabelo, dos teus carros, das tuas namoradas, mas não falam dos anos que passaste longe da tua família, sozinho, nem dos dias em que ficaste a treinar depois dos outros se irem embora para te superares e tornares no atleta magnífico que és. Gostam de falar das tuas férias e das festas onde vais, mas não falam dos hospitais que visitas, dos miúdos que acarinhas e dos autógrafos que dás, mesmo quando a agenda é apertada e estás desejoso de ir para casa ter com o teu filho. Gostam de falar da roupa das tuas irmãs ou do novo corte de cabelo da tua mãe, mas não falam do amor e da segurança que elas te dão e que foi, decerto, fundamental para que nunca tenhas desistido dos teus sonhos e nunca te tenhas perdido como tantos outros atletas que ficam cegos pela fama e pelo dinheiro.
    E por falar em dinheiro, é teu de direito, conquistado literalmente com o teu suor, com o teu talento sobrenatural e ainda bem que podes proporcionar uma vida fantástica a todos de quem gostas. Ao contrário de tantos outros atletas, o dinheiro não te corrompeu, não te tirou a alegria de jogar à bola nem a constante batalha que travas contigo próprio para seres cada vez melhor. Uma batalha que tenho tido o privilégio de assistir ao longo dos últimos dez anos.
    Não sou do tempo do Pelé nem vi o "meu" Eusébio jogar. Era uma menina que brincava com as Barbies quando o Maradona e outros grandes talentos dos anos 80 davam cartas. Só comecei a ligar ao futebol quando vi uma reportagem sobre o Van Basten no início dos anos 90 e só fiquei verdadeiramente apaixonada quando fui ao Estádio da Luz pela primeira vez. Vi todos os grandes jogadores portugueses (e estrangeiros!) jogarem inúmeras vezes, ao vivo e a cores, desde então. Do meu maestro Rui Costa, ao aclamado Figo, entre tantos outros. Mas nunca vi nenhum jogador que se compare a ti. Tu tens aquela coisa que só os grandes têm. Aquela coisa que nos cola ao relvado, que nos faz gritar e nos enche o coração. Aquela coisa que te vai tornar lendário e imortal.


    Para mim, digam o que disserem, és o melhor do mundo. O melhor de sempre! Ah, e se vestisses a camisola do Benfica...






    Beijinhos,






    Filipa








  • Há uns anos li uma frase do comediante Jerry Seinfeld que dizia algo como " ter uma criança de dois anos em casa é como usar um liquidificador sem tampa". Na altura achei a frase divertidíssima, mas só hoje a entendo na perfeição. É que, de facto, a não ser que tenhamos uma empregada interna, daquelas como nos filmes, que ficam lá a dormir e tudo, é humanamente impossível manter a casa limpa e arrumada quando se tem filhos menores de seis anos (que os outros já têm idade para limpar muito do que sujaram e arrumar os brinquedos antes de ir para a cama).

    Se acabámos de passar a esfregona no chão, eles entram pela divisão adentro e espezinham tudo; se acabámos de aspirar eles vão comer bolachas; se mudámos os lençóis de manhã, eles fazem chichi na cama à noite; se vestimos uma camisola nova, eles vêm dar-nos um abraço com as mãos pegajosas; se acabámos de pôr os Legos todos na caixa, eles despejam o cesto dos puzzles. Acreditem, é como uma daquelas leis de Murphy.

    Assim, uma mãe (e um pai, que hoje em dia já costumam ajudar nas tarefas domésticas), tem duas opções:

    1) virar Mãezilla e desatar aos gritos todas as noites, sobretudo por altura das refeições, passando o serão a limpar, a arrumar e a procurar a única peça de roupa que não tem bocados de comida incrustada, para poder vestir na reunião da manhã seguinte.

    2) desistir e interiorizar o ditado "se não os podes vencer, junta-te a eles", abraçando a desarrumação como um estado natural e repetindo mentalmente aquele famoso slogan do Skip "é bom sujar-se", nomeadamente quando os colegas repararem que temos um bocado de banana esmagada nas calças.

    Como a única satisfação que se pode retirar da primeira hipótese é poder contemplar a casa toda arrumadinha nos minutos que antecedem a nossa queda na cama, já que, na manhã seguinte, o caos recomeça em todo o seu esplendor por altura da primeira papa do dia e ninguém deixa de ser promovido por ter uma nódoa na camisa, optei pela segunda, para escândalo da minha família, que ainda por cima sofre de "arrumadismo" agudo. Bem vejo os seus olhares horrorizados quando entram na sala de estar, agora convertida em parque de diversões do pequeno T. Oferecem-se discretamente para ajudar, para varrer, para apanhar os brinquedos do chão, e eu agradeço e deixo-os sentirem-se úteis, embora saiba que, assim que eles saírem, o meu terrorista vai minar tudo em três tempos e eu vou fechar os olhos às dedadas nas portas, respirar fundo e perceber que, na verdade, prefiro estar ali com ele a espalhar cubos pelo chão, do que na cozinha agarrada aos instrumentos de limpeza. Não é fácil, vai contra o meu instinto, mas é a única maneira de sobreviver aos primeiros anos de uma criança.

    E se, de repente, aparecerem visitas ou tiver de chamar um médico ao domicílio e a parede ainda estiver salpicada de sopa (sim, há pratos que voam das cadeirinhas em dois segundos), em vez de baixar a cabeça envergonhada perguntando a mim própria "o que é que vão pensar de mim", vou sorrir e deixar que os meus olhos digam "desculpe a desarrumação, mas nós vivemos aqui".